Psicanálise Fácil e Prática – Artigo 1

Neste artigo, exploro de maneira prática e acessível o funcionamento básico da mente sob a ótica da psicanálise. Vou apresentar como forças internas, como o id, ego e superego, interagem e impactam nossa saúde mental, abordando também como esses conflitos internos podem gerar transtornos, como ansiedade e depressão.
Nosso primeiro lançamento da série Psicanálise de forma fácil e prática, trás o primeiro artigo sobre como funciona a nossa mente e como surgem as doenças mentais.
Segundo a psicanálise, a nossa mente ou massa psíquica é formada por três energias que atuam como mecanismo de funcionamento: o ID (louco, sem limites), o superego (censurador moral) e o ego (regulador, mediador). São forças psíquicas internas opostas que travam uma luta constante diante das exigências e pressões da realidade externa, as pessoas e as coisas, ao nosso redor, desde os primeiros anos de vida.
Tendo como exemplo o bebê, a mente dele é uma massa psíquica caótica, comandada pelo id, sem limites para os desejos impulsivos. Com o tempo o bebê vai aprendendo as regras do certo e o errado com os pais, dessa maneira forma-se o superego, depois uma terceira parte, o ego, surge tentando amenizar a luta entre o Id e o superego.
O conflito entre essas três forças podem causar medo, culpa, vergonha, insegurança, frustração e outros sentimentos que levam a origem de transtornos mentais, como a ansiedade. É fácil entender que ao longo do tempo uma pessoa com essas características pode se tornar frustrada e sofrer com a depressão, síndromes como pânico, alterações de humor, paranoia e muitas outras doenças mentais ou psicossomáticas, que envolve sintomas físicos e mentais.
O ID
Segundo a psicanálise, o ID é cheio de energia, impulsivo, primitivo, caótico, cego, totalmente inconsciente, ele possui forças biológicas instintivas como a libido (sexualidade) e a agressividade. O id quer o que vê na realidade externa, quer a plena satisfação do corpo, quer também superar a realidade interna, ele quer vencer o superego e o ego.
O ID é imediatista, movido pelo princípio do prazer, evitando completamente a dor, é movido pelo raciocínio infantil, sem regras, amoral, inconsequente. É como uma criança, não mede consequências, pois está mergulhado no inconsciente sem contato com a realidade. O ID é egoísta, quer porque quer, na hora, e pronto. O ID é a força propulsora da vida, porque a partir dos impulsos dele o indivíduo tem desejos, cresce, evolui, sendo que o ID, vai precisar do controle do ego e do superego, para poder manter-se vivo.
O EGO
De acordo com a psicanálise, o ego é parcialmente consciente e inconsciente. Desenvolvido a partir do ID. Como um bebê, puro ID, a medida que cresce cria sua própria identidade (ego). O ego é real, movido por princípios de realidade como raciocínio lógico, racional e maduro. O ego atua como mediador, tentando manter o equilíbrio da mente, criando mecanismos de defesa repressivos e reguladores contra o poder do id sem limites e o poder controlador do superego.
Dessa forma, o id e o superego clamam por um lado e, por outro o ego, está tentando manter a ordem e equilíbrio, precisando suportar também exigências da realidade externa, que por si só o pressiona.
O ego tem a função de manter a saúde da personalidade individual, que está em constante conflito. O ego decide se satisfaz as necessidades do id ou do superego. O ego não contradiz o id e o superego, nem contradiz a realidade externa, ele serve a essas três forças, ajudando a reduzir essas tensões. . O ego media o conflito de forma prática e real, é a força mais inteligente e racional, sempre tira energia do id, superego e da realidade externa para estabelecer “ordem em casa”.
O SUPEREGO
Segundo a psicanálise, o superego é uma força psíquica parcialmente consciente e inconsciente que se desenvolve durante a infância e adota os valores dos pais e da sociedade, as regras do certo e do errado, elogios e castigos, bom e mau comportamento. É daí que vem nossa consciência moral. O nome já diz tudo: SUPER – Ego, o ego mais duro que atua como freio ou força contra os interesses práticos do ego e os poderes ilimitados do ID. O superego nega, implacável e até cruel, julga, critica, censura e estabelece padrões em sua busca pela perfeição. O superego é um depósito de regras comportamentais que formam barreiras de personalidade. Sentimos culpa ou vergonha porque o superego está em ação. Enquanto o ego persegue objetivos realistas e o id lida com a imoralidade, o superego coloca a moralidade acima de tudo. Essa intensa competição entre o id, ego, superego e a realidade externa cria conflitos que geram ansiedade e outras emoções e sentimentos negativos.
Conflitos e traumas causados pelo id, superego e ego são inevitáveis e, se não resolvidos, continuam ao longo da vida na forma de padrões de comportamento repetitivos, apegos neuróticos que formam a base dos transtornos mentais e das personalidade do indivíduo. É por isso é comum a pessoa falar que não conseguem mudar seu comportamento, porque sofrem de uma fixação neurótica, a qual se retirada do seu dia a dia, pode causar sofrimento, vazio, porque a pessoa está acostumada com sua neurose ou padrão de comportamento repetitivo. É como tentar afastar o álcool de um alcoólatra ou fumo de um fumante. Portanto, tendo exemplo uma pessoa perfeccionista, se ele deixar de ser muito exigente, entenderá que sofrerá porque perderá a sua essência, ficará num vazio.
Para manter o equilíbrio psíquico o ego satisfaz os impulsos do ID e do superego, no entanto, ao gratificar é estabelecida uma formação ou relação de compromisso, ou seja, enquanto o ego permite os impulsos, ele fica comprometido com os mecanismos defesa repressores, que não querem a satisfação franca e imediata dos impulsos. De um lado o ego permite, do outro precisa reprimir, serve a dois senhores, este fenômeno tenso causa o surgimento dos conflitos não resolvidos e dos sintomas neuróticos, também chamados de transtornos ou doenças mentais.
Os indivíduos apresentam muitos conflitos não resolvidos, uns se sobrepondo aos outros, maiores e menores, desde a infância, que seguem pela vida adulta, e usam de vários mecanismos inconscientes de defesa do ego. Cria-se assim uma hierarquia de conflitos e a personalidade neurótica. Observe quantos problemas ou conflitos não resolvidos você identifica quando estuda o seu tipo de personalidade.
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Neste artigo, apresento uma visão clara e prática da psicanálise, explicando como três forças psíquicas — o id, o ego e o superego — moldam a estrutura da mente e desempenham papéis fundamentais no desenvolvimento emocional e mental. Através da análise dessas três energias, compreendo como elas podem, ao entrarem em conflito, gerar sentimentos como medo e culpa e, em casos prolongados, desencadear transtornos como depressão e ansiedade. Ao ilustrar exemplos cotidianos e descrever a luta constante entre impulsos e censuras internas, o texto oferece uma introdução ao entendimento dos mecanismos que estruturam nossa psique.
Saiba mais sobre
O que é o id na psicanálise?
O id representa a parte primitiva e impulsiva da mente, buscando a satisfação imediata dos desejos sem considerar regras ou consequências.
Qual o papel do ego?
O ego atua como mediador, tentando equilibrar as exigências do id e do superego, enquanto lida com as pressões do mundo externo.
Como o superego influencia o comportamento?
O superego impõe normas morais, julgando e censurando impulsos e comportamentos, o que pode gerar sentimentos de culpa e vergonha.
Por que conflitos entre id, ego e superego podem causar transtornos?
A luta interna entre essas forças, especialmente quando prolongada, pode levar a emoções negativas, originando problemas como ansiedade e depressão.
Quais são os sintomas comuns de um desequilíbrio entre id, ego e superego?
Sintomas incluem ansiedade, frustração, alterações de humor e, em casos graves, desenvolvimento de transtornos mentais.
Como a psicanálise pode ajudar no autoconhecimento?
Ao entender o funcionamento do id, ego e superego, a psicanálise auxilia na identificação e resolução de conflitos internos, promovendo o equilíbrio mental.

