Como a psicanálise interpreta a formação da personalidade – Artigo 9

Como a psicanálise interpreta a formação da personalidade – Artigo 9

psicanálise

psicanálise

Neste artigo, abordo como a psicanálise interpreta a formação da personalidade e a influência dos fatores genéticos e experiências vividas. Analiso o papel do ID, do ego e do superego, explicando como cada componente atua de maneira única para moldar a personalidade ao longo da vida.

O Determinismo Psíquico e a Continuidade da Vida Mental

 

O Caráter (A Personalidade)

Determinantes Intrapsíquicos as marcantes diferenças dos instintos do ID, determinadas biologicamente, permanecerão constante toda a vida, com diferenças de indivíduo para indivíduo. As funções morais do superego também vão variar de indivíduo para indivíduo. As funções do ego desenvolverão padrões de adaptação próprio de cada pessoa. A combinação dos impulsos do ID, dos valores morais do superego, e adaptação do ego, formam o que se chama de caráter ou personalidade. Durante o desenvolvimento da cada indivíduo, forças variadas, como os mecanismos de defesa, impulsos do id e do superego, vão fortalecer e definir o padrão de personalidade. (tipos 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9 do Eneagrama).

Determinantes Genéticos

Além dos fatores dos fatores intrapsíquicos citados, a herança biológica (genética) também vai determinar a formação da personalidade. Isto pode ser observado nos recém-nascidos que revelam diferenças marcantes nos instintos básicos e no comportamento, que não dependem da experiência. Ainda na maternidade recém-nascidos demonstram diferenças, uns sendo mais agitados (tipo 7 do Eneagrama), outros mais quietos (tipo 9 ou 5), uns choram muito (tipo 4), outros estão sempre com rostinhos sorridentes (tipo 2), outros agressivos (tipo 8), outros irritadiços (tipo 1), outros mais “exibidos” (tipo 3), outros mais desconfiados e inseguros (tipo 6).Deficiências mentais genéticas dificultam o uso dos mecanismos da mente mais complexos, fato que vai influenciar na formação da personalidade do indivíduo.

Determinantes Experimentais

A experiência de vida sofrida pelo indivíduo desempenha papel muito importante na estruturação da personalidade. As experiências de vida nunca serão iguais mesmo para irmãos gêmeos influenciados pelo relacionamento com os pais. Pais gratificam de modo diferente cada filho. Os traumas sofridos pela criança desde muito pequena terão consequências importantes na formação da personalidade.

Exemplos de traumas: separação da mãe, morte dela, nascimento de irmão, agressões, abusos, cirurgias, mudança de domicilio ou escola. Cada criança vai interpretar as experiências e a elas reagirá de modo diferente.

A personalidade das pessoas que cercam a criança, por ex., as atitudes dos irmãos, também vai influenciar o tipo de personalidade dela por meio das identificações infantis. O ambiente físico e humano ao redor da criança é outro fator que influi na formação da personalidade. Crianças que vivem em ambientes menos favorecidos, com criminosos ao redor, terão uma personalidade diferenciada, comparada com crianças que vivem em ambientes ricos e rodeadas de pessoas amorosas.

Resumindo: a formação da personalidade é resultado dos fatores genéticos e de experiências de vida, marcada pelas forças das funções do ID, ego e superego, os chamados fatores intrapsíquicos, todos operando ao mesmo tempo.

Personalidade = fatores genéticos + experiências de vida + forças intrapsíquicas (ID, Ego, Superego).

Compulsão à Repetição

Indivíduos tem a tendência a repetir inconscientemente vivências infantis conflitantes, que é uma tentativa de dominar aquela situação frustrante e obter uma gratificação mesmo que tardia.

Níveis de comportamento

O resultado de todas as forças citadas, ID, ego e superego agindo, forças genéticas e de experiência de vida, compulsão à repetição, é acessível a observação objetiva clínica. Outra parte do comportamento, a subjetiva, requer que o analisando faça uma descrição para o analista por meio das verbalizações. Podemos citar como subjetivos, os sentimentos, os pensamentos, as fantasias, as recordações, as motivações. Toda teoria do comportamento deve incluir a interpretação dessas situações subjetivas do ser humano, além das objetivas.

Continuidade e Determinismo

A vida é um processo contínuo de adaptação do aparelho mental, e entre o organismo e o meio ambiente, de modo que resultam em oscilações do equilíbrio dinâmico mental. Tal conceito requer as considerações dos fatores psíquicos, genéticos e de experiências de vida, já citados. As experiências de vida, a continuidade das experiências marcantes, podem resultar em interpretações diferentes para uma criança. Ex.: uma cirurgia pode ser interpretada por uma criança como o amor dos pais ou uma forma de punição deles.

O conceito de determinismo psíquico diz respeito a que nada acontece por acaso, e que os fenômenos da vida e do comportamento são determinados pela interação conjunta de todas as forças e experiências, passadas e presentes, pela genética e pelo dinamismo da mente, de cada pessoa, sejam conscientes, pré-conscientes ou inconscientes.

Normalidade e Saúde Mental

Saúde mental é a capacidade de manter a adaptação madura ante qualquer conflito, é a habilidade do indivíduo de conduzir-se eficazmente sem se estressar, tanto no estresse previsível como no imprevisível. No estado normal, na função do ego ideal, os conflitos são resolvidos de modo consciente, com repúdio dos impulsos inaceitáveis, sem uso de defesas inconscientes, com quantidade mínima de energia psíquica ligada às funções defensivas, sempre orientado para a realidade do processo secundário (lógica, razão, maturidade), contra o processo primário (modo infantil de pensar). O conceito de saúde ideal raramente é realizado por completo, mas pode chegar-se a aproximações parciais. A personalidade normal, sadia, está livre do sofrimento neurótico na forma de ansiedade doentia, ou da culpa, medo, frustração, ou forte estresse, além de poder criar qualquer área de escolha livre consciente, para obtenção de satisfações.

Valor e Relatividade

Na vida quase tudo pode-se dizer que é relativo e o valor muda de situação para situação, de pessoa para pessoa. É óbvio que definir o que é normalidade ou saúde mental implica em juízos complexos que não são aprovados por todos. Maturidade e liberdade x maturidade e submissão, depende do lugar onde estamos vivendo. Exemplo: a Coréia do Norte, Cuba, China dentre outros países comunistas, ditaduras, vão adotar a submissão como conceito normal, o que não será aceito nos EUA, França e Alemanha, países capitalistas, liberais, democráticos. Ditaduras e democracias estão em lados postos.

A homossexualidade é vista como normal para os gays e para muitas pessoas. Para outras é uma doença, inclusive para grupos de psicólogos, que proclamam a “cura gay” aliados a certos padres e pastores.

Muitos pontos de vista do analista colidirão com os do analisando, pois cada pessoa tem uma vida cheia de experiências, uma personalidade padrão que muitas vezes é “neurótica”. O que é neurose ou não já é ponto de discussão.

A saúde mental ou normalidade é um conceito relativo, porque as pessoas tem formas diferentes de pensar. Por isso existem dezenas de modelos de psicoterapias, pois elas tem por base, os conceitos e preconceitos dos seus criadores (Freud, Jung, Roger, Adler, etc).

Quer saber mais sobre a Psicanálise e entender mais do funcionamento da mente?

Você pode iniciar fazendo um curso de formação em Psicanálise

Você também pode consultar com o Psicanalista e psicólogo Flávio Pereira.

A formação da personalidade é compreendida pela psicanálise como resultado de uma complexa interação entre fatores genéticos, experiências de vida e forças intrapsíquicas (ID, ego e superego). Desde os primeiros instantes de vida, os impulsos do ID, a moral do superego e as adaptações do ego começam a delinear um padrão único de personalidade para cada indivíduo. Esse desenvolvimento é continuamente influenciado por eventos e traumas vivenciados, que deixam marcas distintas e contribuem para a maneira como cada um reage ao mundo. O artigo também examina o conceito de determinismo psíquico e discute a saúde mental, definindo-a como uma adaptação equilibrada e madura aos desafios, embora reconheça a relatividade de tais definições.

Saiba mais sobre

Quais são os principais fatores na formação da personalidade segundo a psicanálise? Os principais fatores são genéticos, as experiências de vida e as forças intrapsíquicas, compostas pelo ID, ego e superego.

Como o ID influencia a personalidade? O ID é responsável pelos instintos básicos, determinados biologicamente, que permanecem constantes ao longo da vida.

O que é o determinismo psíquico na psicanálise? O determinismo psíquico refere-se à ideia de que todos os comportamentos e eventos mentais são determinados por forças conscientes e inconscientes.

Qual o papel das experiências traumáticas na infância? Experiências traumáticas na infância têm impactos profundos, contribuindo para o desenvolvimento de traços específicos da personalidade.

Como a psicanálise define a saúde mental? A saúde mental é vista como a capacidade de adaptação madura e eficaz, lidando conscientemente com os conflitos sem recorrer a defesas inconscientes.

Por que o conceito de normalidade é considerado relativo? A normalidade é relativa porque varia conforme o contexto cultural, social e as interpretações individuais sobre o que é mentalmente saudável ou normal.

Compartilhe com um amigo!